Obra de estreia do poeta, ativista e jornalista Mohammed El-Kurd, esta coletânea de poemas mobiliza o verso como ferramenta de denúncia do colonialismo, da expulsão forçada de palestinos e do trauma gerado pela Nakba.
O cerne deste manifesto lírico é sua avó, Rifqa El-Kurd, uma mulher centenária que sobreviveu a expulsões sucessivas e tornou-se o símbolo da resiliência palestina. Rifqa é a bússola moral da obra e a chave para compreender a subversão de sua linguagem: é ela quem ensina ao neto que as frases devem ser lançadas como mísseis contra a opressão.
A escrita de El-Kurd é deliberadamente fragmentada e visceral, recusando o vocabulário “não enviesado” que suaviza a ocupação. Assim, a poesia se torna um ato de “plantar uma bomba no jardim”, um disfarce para verdades que o Ocidente não quer ouvir. Em Rifqa, o jovem poeta já anuncia os temas que vai desenvolver quatro anos depois em Vítimas perfeitas, e a política do apelo (Tabla, 2025), uma ode à resistência do povo palestino