No início da primavera, encontrei uma garrafa que cruzava o oceano. As águas eram frias, os raios de sol da primavera ainda eram fracos demais para esquentá-las. Eu iniciei a leitura. Reparei que eram conversas entre Sonia e Jean. Eram conversas também comigo, e será com qualquer um que as ler. Sei que agora, quem estiver lendo sentirá o corpo de cada silêncio, ausência, medo, dúvida que a pandemia nos causou. Mas se quem estiver lendo não viveu a pandemia, saberá o que sentimos, o tanto que refletimos e quem sabe, quais foram as mudanças que ocorreram no mundo após esse tempo. O fato é que estamos transformando as nossas relações familiares, artísticas, educacionais, políticas e corporais. Eu me perguntei sobre o que estava fazendo enquanto Sônia e Jean trocavam cartas. Sorrindo dentro da máscara enquanto falava bom dia para a caixa do supermercado? Estava vivendo um meio-corpo em alguma sala virtual? Ou estava com a câmera desligada pois não aguentava mais ver meu corpo castigado po